domingo, 10 de agosto de 2014

- Você acha que o nosso amor pode fazer milagres? – Eu acho que o nosso amor pode fazer tudo aquilo que quisermos. É isso que te traz de volta pra mim o tempo todo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sugestões para atravessar agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente. Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles. Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:. Caio F. Abreu

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A arte de se (re)apaixonar todos os dias - você prática?

Os filmes, novelas e livros com enfoque romântico costumam dar um especial enfoque na vida de casal quando ela ainda não se formou, ou seja, naquela fase embrionária da conquista e da paixão onde não existe nada muito sólido. Quando o assunto gira em torno da vida de casal com mais tempo de existência normalmente a categoria da trama é o drama. Isso parece ter certa lógica dentro do que entendemos por relacionamento amoroso, afinal, o esforço todo é colocado na fase em que nada é ainda muito seguro e a dupla precisa se convencer que vale a pena passar mais tempo junto. Na maior parte das vezes o que vejo no consultório de terapia são pessoas sequeladas em suas histórias onde foram surpreendidas por facetas pouco amistosas dos parceiros amorosos. Ao longo do relacionamento notaram certa preguiça ou pouco empenho em tornar o convívio mais agradável. Mas será que é possível se apaixonar pela mesma pessoa todos os dias? Sim e não. Não, se pensarmos no tipo de paixão muito comum que é aquela um pouco delirante e que idealiza a outra pessoa como se ela fosse um ícone de grandes qualidades. Nessa fase um pouco infantil da paixão os aspectos notórios são sempre exteriores à própria pessoa como a beleza, o status, a ação corajosa e as conquistas aparentes. Não poderia ser diferente, afinal não existe um parâmetro inicial para balizar uma escolha sem começar por algum lugar. O problema é que essa parece ser a única referência da paixão onde as pessoas se fixam em códigos sociais e estéticos para entregar sua vida à outra. Mas se a paixão também considerar os valores, os traços de personalidade e as pequenas delicadezas anônimas do cotidiano, então é possível essa paixão diária. Certamente ela é mais terna ou suave e por esse motivo não seja muito popular num mundo onde as pessoas valorizam manifestações eufóricas e exageradas de afeto. De qualquer modo esse reencantamento diário não é para os distraídos-egocêntricos que estão muito aprisionados em suas imaginações perfeitas de como a vida deveria ser, mas sim para os que conseguem degustar a vida com apreciação serena. Para alguém que mal mastiga a comida, olha nos olhos quando fala com alguém ou respira direito esse tipo de sentimento parece uma lenda ou invenção de gente louca. Quando a vida é acelerada não há espaço para essas sutilezas do cotidiano. Mas repare com calma na pessoa amada e veja como ela levanta com meiguice ou coragem numa segunda-feira gelada e me diga se não é muito sedutor. Tente perceber como ela recua diante de uma palavra que seria solta impensadamente só para deixar você falar uma coisa empolgante. Observe como ela facilitou sua vida com uma carona fora de rota depois de um dia difícil só para que não precisasse se sobrecarregar. Sinta como é confortável estar ao lado dela mesmo quando nada é dito e o assunto acabou. É no silêncio da relação que a paixão acontece diariamente, onde nem maquiagem ou carro do ano convencem. É exatamente naquele ponto onde ambos se esforçam para agir como seres humanos melhores que a combustão acontece, afinal ser apaixonado quando todo mundo está olhando ou quando dá ibope nas redes sociais é fácil. A verdadeira arte de se reapaixonar mora nos detalhes dos anos que envelhecem as vontades imediatistas, mas fortalecem a natureza do caráter. Esse brilho nos olhos com pés-de-galinha realmente tem sido para poucos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Não existe dia ruim, e sim dias que você aprende mais do que ganha.
“Eu não quero muito. Eu só quero um colo que esteja disposto a me abrigar em dias ruins. Um colo pra repousar a cabeça e o corpo inteiro. Um colo que eu possa voltar pra sempre. Só um colo. Um colo sincero, sem obrigações. Eu só quero pés entrelaçados em noites frias. E também mãos entrelaçadas em dias quentes. Quero chocolate de colher na boca, sorvete melando o nariz e pipoca que acompanhe um filme no fim da tarde. Quero bons diálogos quando o mundo inteiro me parecer cuspir ignorância. Quero ser ignorante e ter quem me entenda mesmo assim. Eu só quero me sentir única, insubstituível, essencial. Não peço muito. Peço apenas que você me transmita força, coragem e confiança. Quero me perder e me encontrar nos seus olhos. Quero olhos que me enxerguem além do que permito enxergarem. Quero rodopiar e não me sentir tão tonta à ponto de cair. Quero não cair. Quero braços fortes que não me deixem chegar ao chão. E braços ainda mais fortes que me tirem dele. Eu só quero viver um prazer contínuo e não achar que algo, no fundo, está muito errado por isso. Quero dar gargalhadas e não me importar com o volume exaltado. Quero não me importar, mas ainda assim ser importante. Quero ser. E quero muito. Mas não quero nada. Nada que não me faça flutuar, nada que tire o brilho do meu olhar, nada que me desaprenda a andar. Eu só quero lembrar e rir. E depois chorar. E rir de novo. Quero mergulhar sem me preocupar com a profundidade. Quero não me preocupar mais tanto, tanto e tanto. Eu só quero deixar a mente livre, o coração aberto e os pensamentos fluindo. Quero ser inundado de sensações novas. Quero torcer por algo e sorrir mesmo que dê errado. Quero pular como se alcançasse o céu. E depois me contentar com meus pés no chão.”

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Te aceito, assim, complicado demais... Também sou assim, complicada demais...

domingo, 13 de julho de 2014

Dá vontade de amar. De amar de um jeito “certo”, que a gente não tem a menor idéia de qual poderia ser, se é que existe um. . . . ---Sorriram um para o outro. E tudo estava certo outra vez. Tudo tinha um gosto bom. ” — Caio Fernando Abreu