domingo, 21 de junho de 2009

Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia.
Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal, e então a solução: o telefone.
Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele.
Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor.
Do outro lado da linha, o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso.
Daqui a pouco passa rápido e ele chega.
Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes.
Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está.
Mas chora. Não vai perder esta oportunidade. Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar?
Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa.
O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância. Amor não é mais do que isso.

MARTHA MEDEIROS

quarta-feira, 3 de junho de 2009

- The Next Time Around -

São muitos objetivos
para medir o seu valor,
para buscar seu peso em ouro

Sentado na solteira de marfim,
quanto mais longe você olha,
mais longe você estará.

Não é o suficiente definir os termos.
Se nada é arriscado, não se consegue nada
Apesar das probabilidades estarem contra,

em tempo, eu pertencerei a você.
É como deve ser.

Acomodado em você mesmo.
Varrendo poeira das pedras
Com uma carta para casa.

Volte para onde as horas são longas.
A simplicidade das coisas é prazerosa
se apenas observar, à vontade.


Não basta definir os termos.
Se nada é arriscado, não se ganha nada.
Sempre foi assim.

E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é

Em tempo, eu pertencerei a você.
É assim que deve ser,
e é como sempre foi.


- Little Joy -