terça-feira, 28 de dezembro de 2010


A MÁQUINA DO TEMPO
Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas


PROCURO UMA ALEGRIA
Procuro uma alegria
na mala vazia
do fim do ano
e eis que tenho na mão
-- flor do cotidiano --
o voo do pássaro
e de uma canção


RECEITA DE ANO NOVO
Para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

' Mas eu tinha que ficar contente.
E quando você quer, você fica.
Comecei a ficar. '

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Queria que algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse "hey, você se expõe demais" e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar, porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira.
Eu não sei citar motivos, mas alguma coisa me falta. Estou ao mesmo tempo feliz e deprimida, tenho companhia e nunca fui tão sozinha, tenho sucesso e nunca me senti tão fracassada.

Verônica H.

domingo, 19 de dezembro de 2010


"… E, mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida."

Fernanda Young

sábado, 18 de dezembro de 2010

”Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros’

Caio F.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010


"Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tenho me mantido ocupado com trabalho, amigos, vinho e poesia.
Quanto ao amor?
Não me pergunte.
Eu não sei o que ele quer de mim.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quero alguém que salve
a minha parte mais doída,
quando acordo antes do dia.
Quando sou problema,
antes de ser saída.

Quero o tempo longe da espera,
quero o sempre mantendo
a nossa porta aberta.
Alguém que ganhe
com um silêncio,
a minha vida inteira.

Quero o que vem inteiro,

e um pé de esperança,
pra mudar o verbo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar : Combinei comigo não desistir de mim."

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é! Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão!


Fernando Pessoa
Entenda, a vida tem me embalado de um jeito tão único que só encontrei meus passos com total entrega. Quando desando, sei bem o que quero...mas não sei se posso. Não quero licença para ser feliz. Não mais.
Cecília Braga

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és... E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

“Dor não tem nada a ver com amargura.
Acho que tudo que acontece
é feito pra gente aprender cada vez mais,
é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável,
Cada dia mais rica de humanidade.”


- Adélia Prado

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

Martha Medeiros

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza" (Caio F. Abreu)

domingo, 21 de novembro de 2010

"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência.
E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
(Arnaldo Jabor)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei ..."

(Resposta ao tempo - Nana Caymmi)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fora de mim - the end

Preciso que saiba: nunca deixarei de pensar em você, porque você foi o amor menos elaborado que tive, menos politicamente correto, menos ‘’o cara certo na hora certa’’, menos criado no cativeiro da idealização, e essa impossibilidade de intelectualizar o que senti me faz pensar que talvez eu não estivesse enganada sobre aquela idéia romântica de que só se ama assim uma vez.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fora de mim - parte 6

... Quanto a mim, reconheço que estive doente também: onipotência é uma enfermidade grave. Mas começo a recuperar a lucidez perdida, se considerarmos que lucidez nada mais é que interromper a busca pela compreensão absoluta de tudo que nos cerca e aceitar que a vida não vem com manual de instruções. Fácil não tem sido, mas consigo, finalmente, me libertar de certas crendices. Já admito que não é necessário estar apaixonada em todas as etapas da vida, desde os 14 até o 99 anos. Paixão é a força motora que justifica nossa existência, mas a perseguição desenfreada por esse privilégio nos torna dementes, viramos parasitas de uma obsessão. Quem garante que essa ansiedade não foi produzida em laboratório por um cientista muito cínico? Claro que é excelente ter com quem compartilhar nosso erotismo, desejos, gargalhadas, mas não é preciso se sentir incompleto na falta desse alguém.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fora de mim - parte 5

... Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa. É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial p/ nosso bem-estar, e o nosso para o dele. É receber uma atenção exclusiva e oferta-lá na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa, de um jeito que não conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro tem a chave desse cofre. O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos. Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fora de mim - parte 4

... É uma dor tão recorrente na vida de tantas mulheres e tantos homens, é assunto tão reprisado em revistas, é um sofrimento tão clássico e tão narrado em livros, filmes e canções, que mesmo que eu não lembrasse, lembrariam por mim.
A dor massacrante do abandono, da falta de telefonemas, da falta de beijos, da falta de confidências. No entanto, perde-se o homem, perde-se a mulher, mas o amor ainda está ali, mesmo sendo o deflagrador do vazio. Por estranho que pareça, há uma sensação de pertencimento, algo ainda está conosco. A saudade é uma presença.

domingo, 7 de novembro de 2010

Fora de mim - parte 3

... Hoje me pergunto se você me amou de verdade. Mantenho bem guardadas as nossas fotos, bilhetes, cartas, e-mails, e esse espólio sentimental registra um amor com toda a pinta de ter existido, mas não descarto a hipótese de você ter apenas projetado um amor em mim pra vencer sua carência existencial, que era do tamanho da muralha da China. De minha parte, você me fez feliz e eu sei exatamente quando, como e por quê. Em contrapartida, olho pra trás e não lembro de ter feito você feliz da mesma forma, ao menos não com o mínimo de serenidade: você nunca me considerou um repouso, um porto, um albergue. A impressão que eu tinha é que a minha presença funcionava como um dispositivo que fazia você entrar em euforia ou em surto.

sábado, 6 de novembro de 2010

Fora de mim - parte 2

... Eu ainda fico tonta e quase despenco quando percebo que nunca mais viverei de novo aquele arrebatamento, amei você de um modo que se você conseguir que outra te ame, não desgrude dela como permitiu que eu desgrudasse de você, e acredite quando digo que não te culpo pelo nosso rompimento, não culpo agora, que sei que você não tinha o controle sobre o seu ímpeto de me machucar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Fora de mim - Martha Medeiros


... Hoje tento compreender duas ou três frases e nem isso me cabe, ficou tudo sem lógica, eu que prezo tanto a lógica, não entendo mais nada, mergulhei no escuro da minha perplexidade, você era meu até bem pouco tempo, mas vou sair dessa, veja, já estou enxugando as lágrimas, procurando meu celular para fazer uma ligação qualquer, esses compromissos que a gente inventa para fingir que a vida continua...

segunda-feira, 12 de julho de 2010


Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue seu para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.”
. Caio Fernando Abreu .

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


E não deixo meus brinquedos, não porque não quero, mas porque não
posso. É que eles precisam de alguém que os abrace. E eu também. Acho
que esqueci como se vira gente grande. Preciso sair de mim pra brincar
lá fora, mas tem uns dias que só fico atrás da janela espiando nuvens
que gostam de brincar transformando-se em outras coisas. Um convite
pra pular a janela. Daí alguém me puxa pelo braço e diz com voz adulta
que já cresci. É quando tenho que usar a porta como saída. E vou
pra rua pra fazer o que toda gente quando cresce faz. Mas levo
agarrados ao peito meus brinquedos de menina. Porque eles precisam de
abraço quentinho e porque só eles conseguem me mostrar a porta de saída
quando aqui dentro, o negócio ta pegando fogo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010




Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem.

.Caio Fernando Abreu