quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Fica um pouco de mim num bilhete perdido propositalmente embaixo do travesseiro dele, na rubrica daquele memorando, no ritual passo-a-passo do perfume antes de sair (atrás das orelhas, nos pulsos, uma borrifada no colo e pronto: a rua que esteja pronta pra mim), no passo apressado pelas ruas ainda cedo, cor do esmalte escolhido, voz no telefone, nessas pequenas ordens cotidianas e comportamentos singularmente estranhos de cada um de nós.
É simples que alguma coisa soe estranha durante pensamentos aleatórios no meio do dia: se o cabelo não colabora, a roupa parecia boa antes de sair de casa, mas na verdade fora mal escolhida para a ocasião, começa a chover e guarda-chuva é apenas um desejo profundo - assim como tomar café, ler um livro, dormir uma horinha ou todas essas coisas que repicam leveza na existências humana. Mas nada funciona se cada uma dessas pequenas coisas estiverem alinhadas, os 98% de êxito são tão pouco para os outros 2% que podem ser uma mensagem com elogio, promoção no trabalho, aquela proposta que se sonhou por meses, uma viagem relâmpago - sonhamos alto, talvez. Queremos muito e possuímos uma insatisfação feroz, atenta, vivinha da Silva.
Esmiuçamos situações, revemos mentalmente conversas, ensaiamos futuras falas, dizemos frases que querem dizer outras palavras, que na verdade, tem outros sentidos. Um "mais" esquecido depois do "eu te amo" e o surto de desespero e insegurança tem uma presa fácil. A falta de um elogio quando a roupa é nova, o corte de cabelo a estreia da semana ou o feedback de um presente, carta, bilhete, mesmo que tardio ficam tão grudados na nossa mente como um post-it paranoico quanto aquela ofensa em briga irracional, já falsamente superada.
Se somos o casaco descombinado para casar bem com o sapato, o coque mal feito de propósito, um abraço apertado na cozinha, o silêncio contido de quem precisa se expressar e não sabe como, o choro soluçante de quem desaprendeu a viver uma vida que funcione, a cara amassada de acordar, tatuagem escondida em lugar estratégica, jeitinho de beber na xícara, a estabanação ambulante; o olhar fundo de quando o desejo de uma conexão maior ainda, as frases marcantes que são todinhas nossas, gírias improvisadas, alimentos que detestamos, as histórias da infância, todas essas particularidades assumidas que nos fazem além de autoconhecedoras próprias, de identidade; humanas.
Pensa bem quem para por alguns minutos e se permite flutuar como o outro: muito mais que jóias caras, vida de luxo, carro importado, bíceps definido ou um cara de estilo do lado, cuidem dos nossos detalhes. Alimentem nossos sonhos com sinceras - mas ponderadas - opiniões, bilhetes dentro da mala, eu te amos mais gostosos de se escutar ao pé do ouvido para dormir levinha, suave, em paz. Permitam-se navegar nesses nossos baús de memórias lotadas daquilo que a gente planeja esperando que alguém venha com uma lupa paralisadora e, veja. Notem a lingerie, o cuidado das palavras postas na mesa, as unhas e depilação em dia, o que ela diz e prefere não falar. Não precisa ser sempre: sendo de vez em quando a felicidade começa a existir, se torna fácil manter aceso um desejo de melhoria constante (que movimenta o mundo, as relações humanas, nós todos e quem vem a seguir).
Essa não é uma história de estrangeirismos, amores clandestinos e nem mesmo de fugas para fora de si. Era uma vez uma menina que se importava demais. Mais ou menos assim: queria, ia atrás, conseguia e depois, mesmo com a conquista na palma das mãos, vestida no corpo, carimbada no coração, que nada: insegura, mãos suando e uma importância descabida a cada pequeno sumiço, tropeço, falta, fala. Frieza? Aqui, nesse pequeno pedaço de carne, sangue, órgãos, veias, fios e sensações, inexiste.
Era um importar tão apegado já a personalidade da criatura que, sendo objeto de afeto da mesma, ficava fácil sentir um pouco de sufoco por entre tão carinho, dengo, preocupação, necessidade por parte dessa mulher que parecia criança, imensurável o apego. Radicalista até mesmo, tão grande a importância de quem figurava no seu altar, trancafiado às sete chaves do íntimo mais lustroso, por entre as preocupações mais aflitas, solitária num desprestígio único - quis ser dona de todas as razões, verdades absolutas e ansiedades de suar mãos, tremer pernas e embrulhar estômagos. Diziam: racionalize, garota. Suma. Vá pra longe. Não responda, não se importe, não queira, esqueça de cuidar. Só assim que os outros continuam vívidos e alertas, sensíveis e atentos: afim.
Fez valer tanto o seu esforço em matutar nas riquezas sentimentais, ouviu muito a opinião alheia de todo mundo que pra ela, importava, e admitiu de cara lavada a falta de comodismo - era difícil disfarçar os impulsos (malignos, complicados, apressados e sempre errôneos), e então, ficou mais fácil admitir que se importava mesmo, talvez fosse louca, com certeza era um pouco paranoica e aflita. Mesmo quando via os outros largarem de mão, com pouca vontade e doação, sem espaço para respirar, exercitar o dorso reflexivo e conseguir demonstrar também o tal sentir, não conseguia distrair e ir a um shopping, assistir a filme sozinha ou comprar com certeza e sem arrependimento sozinha: enquanto sufocava todos e tudo que a ela tinha influência direta no dia, asfixiava a si mesma num masoquismo incompreensível a quem de fora desse mundo caótico estava.
E foi uma vez essa moça que ligou desesperada mil e novecentas vezes, mandou mensagem porque a saudade apertou, quis ver e participar de tudo, leu horóscopo, iching, psicologia comportamental, fez salão completo, compras impensadas e teve uma cabecinha com um furo meio oco que só conseguia deixar entrar falta de atenção ao que deveria de fato importar - trabalho, faculdade, amizades, leituras obrigatórias, enfim - para se abduzir num planeta onde a imaginação, tão fértil, dava diariamente flores cheias de espinhos que a faziam ácida feito limão mesmo depois de um shot de Tequila. Sozinha, se sentia uma pequena princesa com algumas rosas, longe do mundo real onde tudo funciona bem e as pessoas reais menos ainda que sentem. Decidiu: acalmar a mania de cuidado, voltar toda essa força carinhosa, transgressora, importante para si mesma que o retorno era certeiro e quase imediato. De importada a flor, do caos à leveza, do peso, até ser considerada sorte, dádiva, alegria, alegria. Acordou.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
(...)É preciso entender que cada um se manifesta de maneira diferente diante daquilo que sente e que podemos nos posicionar e aceitar sem compreender, mas nos blindar de qualquer coisa que diminua nossa vibração energética ou atinja a nossa espiritualidade.
Aceito estar vulnerável para o amor, para a entrega ao desconhecido, para o mergulho no pré-sentimento bom. Mas não admito que o Outro tenha poder para me ferir, pois conheço minha Força... E, no meu cotidiano, toda a minha ocupação está na minha vontade de ser melhor, estar feliz e poder estender a mão quando tiver algo a oferecer...
Marla de Queiroz
Vem cá, no meu colo, minha criança. Vem que eu quero lhe contar um segredo. Quando a gente cresce, tem que continuar acreditando naqueles mundos de faz de conta, sabe? Porque o mundo de verdade - o que você vai conhecer conforme for crescendo - é triste, às vezes. Tem coisas e pessoas lindas e legais nele. Mas geralmente essas coisas e pessoas estão em lugares escondidos e até bem longe de nós. E somente as enxergaremos se tivermos olhos e corações treinados. Mas como se treina um coração? Vivendo e amando como se cada vez fosse a primeira e a última. Como alguém que quer muito aprender a andar de bicicleta e a vontade é maior do que o medo de cair. E você vai cair, amor. Mas dor se cura. Desde que você chore e tenha um colo para chorar.
Se um dia você adoecer de palavras, coisa que acontece com todo mundo, e ficar farta de ouvi‑las, de dizê‑las; se qualquer uma que escolher lhe parecer gasta, sem brilho, deficiente; se sentir náusea ao ouvir um “horrível” ou “divino” sobre qualquer assunto, não será com uma sopa de letras, claro, que vai se curar.
Deve fazer o seguinte: cozinhar um prato de espaguete al dente e temperá‑lo com o molho mais simples — alho, azeite e pimenta vermelha. Sobre a massa já misturada a esses ingredientes, por mais que a etiqueta o condene, rale uma camada de queijo pecorino. Do lado direito do prato fundo cheio de espaguete assim temperado, ponha um livro aberto. Do lado esquerdo, ponha um livro aberto. À frente, um copo cheio de vinho tinto seco. Qualquer outra companhia não é recomendável. Vire ao acaso as páginas de ambos os livros, mas os dois deverão ser de poesia. Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras. Só a comida simples e essencial nos cura da saturação da gula.
Héctor Abad in “Livro de receitas para mulheres tristes”
terça-feira, 10 de julho de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
As minhas mãos não são muito grandes para alcançar o alto. Os meus passos costumam ser curtos, embora apressados. Mas há algo, um algo escondido, em cada olhar que disparo, em cada palavra que não falo ou pensamento que me passa. Eu vejo tudo lá adiante, como quem mal vive o agora. Eu vivo o amanhã, talvez para não sentir tanto as dores do hoje. O que eu escondo, meu bem, é a vontade de suportar o hoje fugindo dele mesmo.
Camila Costa
domingo, 13 de maio de 2012
Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá…
Ana Jácomo
segunda-feira, 7 de maio de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Amar com coragem, só isso .

Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem : Que ele não ame com coragem . Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro . Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem .
Amar com coragem não é viver com coragem . É bem mais do que estar aí . Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião . Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária . Amar com coragem é caráter . Vem de uma obstinação que supera a lealdade . Vem de uma incompetência de ser diferente . Amar para valer, para dar torcicolo . Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo . Não usar atenuantes como ‘estou confuso’ . Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança . Não se retrair perante os pais . Não desmarcar um amor pela amizade . Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido . Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade . Amar como se não houvesse tempo de amar . Amar esquisito, de lado, ainda amar . Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo . Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes . Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio . Amar como quem volta de um longo exílio .
Amar com coragem, só isso .
quarta-feira, 11 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Martha Medeiros
Martha Medeiros
segunda-feira, 2 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012

Eu gostaria de me livrar de meus pesos. Queria ser mais leve, mais simples. Querer uma coisa só de cada vez. Abandonar os inúmeros projetos futuros que me cegam para a necessidade do momento. Projetos futuros valem à pena, desde que sejam simples, concretos e aplicáveis. Não gostaria que a morte me surpreendesse sem que eu tivesse alcançado a simplicidade. Até para morrer os simples têm mais facilidade. Sentem que chegou a hora, se entregam ao último suspiro e se vão.
Tenho uma intuição de que quando eu simplificar a minha vida, a felicidade chegará em minha casa, quando eu menos esperar.
Pe. Fábio de Melo
quinta-feira, 22 de março de 2012

Acredito que vai ser pra sempre. Se a gente não acredita, qual é a graça em amar? Eu sonho em ter uma vida com você. Não aquela vida de novela, mas uma vida de carne, osso e problemas. Porque todo mundo tem problemas, é claro que sim. O amor é totalmente imperfeito, vivemos aparando arestas e isso é comum, normal. Anormal é ser tudo sempre um grande mar de rosas cheirosas e sem espinhos.
Clarissa Corrêa
5'...
quarta-feira, 14 de março de 2012

''Que a felicidade não me doa sempre e tanto, a ponto de assustar. Que haja alguma suavidade nos meus olhos diante do cotidiano e que eu não me emocione exageradamente com esta delicadeza. Que eu saiba dizer sem que isso me machuque demais. Que eu saiba calar sem que isso me provoque uma tagarelice interna inquieta.
Que eu possa morrer de amor e, ainda sim, ser discreta. Que eu possa sentir tristeza sem que ela se aposse de toda a minha alegria''
(Marla de Queiroz)
"Às vezes eu queria adiantar os ponteiros do relógio que marca o curso da vida. Queria dá um pulinho lá no futuro pra saber como vai ser. Na certeza de que os planos vão dar certo eu fico desejando adiantar o passo pra viver tudo o que eu ainda espero. Mas isso é só mais uma dessas bobagens que passam pela minha cabeça. Eu sei que cada coisa tem sua hora, tem seu rumo, seu curso e no fundo eu não quero adiantar as horas, quero viver um dia de cada vez, e acreditar que o futuro vai ser bem melhor do que um dia eu imaginei."
(Monalisa Macêdo)
(Monalisa Macêdo)
terça-feira, 6 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto.
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
(...)
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
(...)
Esse é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
"FELICIDADE REALISTA"
( Martha Medeiros )
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tô aqui aprendendo que nem todos dão valor ao que você pode oferecer, e acabar demonstrando afeto demais começa a encher o saco, e eu digo tudo isso da minha parte. Chega de ligações, preocupações, sentimentos demonstrados aos extremos. Vou ficar mais relax mesmo… não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não me veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais...
-- Sentir na pele qualquer coisa parecida com isso é realmente péssimo, dói lá no fundo e incomoda mais que dor de dente, hoje liguei o botão do ''foda-se'' mas graças a Deus eu sou tão idiota que não consigo manter essa posição por muito tempo, então logo logo eu amoleço (pra variar)e volto a abrir os braços pra quem merece (ou não) o meu afeto, não sei ser de outro jeito, fazer o que. --
Não guardo nem dinheiro, vou guardar rancor?
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
...
E quando eu canso, me diz, quando eu canso, o que é que eu faço? Quando eu tenho vontade de desistir, de chutar o pau da barraca, de jogar tudo pro alto, de seguir em frente sem olhar pra trás, o que é que eu faço? Eu sei, eu sei, você vai me dizer que é assim mesmo, questão de ter paciência, de respirar fundo e contar até dez ou até cem se for preciso, e de novo recomeçar, e de novo, e de novo, e de novo. Eu acredito muito nisso, você mais do que ninguém sabe o quanto eu acredito nisso, o quanto a minha esperança é insistente, o tanto de teimosia que eu tenho diante de certas coisas da vida, você sabe bem disso, mas eu também canso e não sei o que fazer com as mãos, eu também. Não, não me olha desse jeito, não venha me dizer que grande decepção ou outras cretinices do tipo, olha, não estou com paciência, sabe. O que eu preciso agora, é de um plano. Pois é, que ironia, logo eu, logo a ‘miss-vamos-viver-o-momento-e-blá-blá-blá’, logo eu, pois é. Beleza, aceito a ironia e vamos em frente, eu preciso de um plano. Um plano de ação, preciso traçar uma linha e dizer: é por aqui que se vai agora, e é aqui que vai dar. Tá, mais ou menos, eu continuo não acreditando em certezas. :/
Ok, esquece o que eu disse, eu não quero certezas nem garantias, eu não pirei nem vi a luz, só cansei, mas ainda sou eu-aquela-mesma-de-sempre. Só que de repente, sei lá, eu preciso, entende. Preciso saber um bocadinho mais do que sabia antes, saber que ainda dá pra chegar em algum lugar, ou pelo menos que ainda dá pra seguir caminhando. Que mesmo sem pote de ouro no final do arco-íris ainda tem um céu bonito e colorido pra gente curtir enquanto caminha, só isso.
Entende? Saber que eu não estou me cansando à toa, que meus pés não estão doloridos por nada, no fundo no fundo talvez eu já saiba, aqui dentro, mas sei lá, vai ver que eu preciso ouvir dito em voz alta, com todas as letras, do lado de fora. Pra virar realidade. E antes que você me pergunte, eu já sei. Cada um tem que fazer a sua parte, e eu quero, eu quero fazer a minha parte. O que eu não quero mais são esses retornos infinitos, e essa dinâmica estúpida de caminhar dois passos pra trás e um pra frente. Isso me deixa tão mas tão cansada que eu chego a desesperar, sabe, eu que raramente desespero. O que eu preciso é de uma estrada à frente, e de uma caminhada sem retrocessos. Entende, era isso o que eu precisava dizer, era isso, essa é a parte importante.
Pode ter tropeço, pode ter desvio, mas retrocesso eu não quero mais, não dá, eu não dou mais conta. Então eu preciso de um sinal, entende. Um sinal pra não desistir, um sinal pra continuar agarrada a um fiapo de esperança, ou da mais pura teimosia, que esse é meu jeito de seguir em frente, teimando.
Enfim, sei lá. Deixa eu ir prum canto e respirar, deixa passar esse cansaço, deixa eu contar até dez, até cem, aí quem sabe. Sei lá, quem sabe. Eu acho que sim.
Ok, esquece o que eu disse, eu não quero certezas nem garantias, eu não pirei nem vi a luz, só cansei, mas ainda sou eu-aquela-mesma-de-sempre. Só que de repente, sei lá, eu preciso, entende. Preciso saber um bocadinho mais do que sabia antes, saber que ainda dá pra chegar em algum lugar, ou pelo menos que ainda dá pra seguir caminhando. Que mesmo sem pote de ouro no final do arco-íris ainda tem um céu bonito e colorido pra gente curtir enquanto caminha, só isso.
Entende? Saber que eu não estou me cansando à toa, que meus pés não estão doloridos por nada, no fundo no fundo talvez eu já saiba, aqui dentro, mas sei lá, vai ver que eu preciso ouvir dito em voz alta, com todas as letras, do lado de fora. Pra virar realidade. E antes que você me pergunte, eu já sei. Cada um tem que fazer a sua parte, e eu quero, eu quero fazer a minha parte. O que eu não quero mais são esses retornos infinitos, e essa dinâmica estúpida de caminhar dois passos pra trás e um pra frente. Isso me deixa tão mas tão cansada que eu chego a desesperar, sabe, eu que raramente desespero. O que eu preciso é de uma estrada à frente, e de uma caminhada sem retrocessos. Entende, era isso o que eu precisava dizer, era isso, essa é a parte importante.
Pode ter tropeço, pode ter desvio, mas retrocesso eu não quero mais, não dá, eu não dou mais conta. Então eu preciso de um sinal, entende. Um sinal pra não desistir, um sinal pra continuar agarrada a um fiapo de esperança, ou da mais pura teimosia, que esse é meu jeito de seguir em frente, teimando.
Enfim, sei lá. Deixa eu ir prum canto e respirar, deixa passar esse cansaço, deixa eu contar até dez, até cem, aí quem sabe. Sei lá, quem sabe. Eu acho que sim.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Apesar de todos os dragões, resolvi terminar o dia cantando ~**

Eu gosto de quem facilita as coisas. De quem aponta caminhos ao invés de propor emboscadas. Eu sou feliz ao lado de pessoas que vivem sem códigos, que estão disponíveis sem exigir que você decifre nada. O que me faz feliz é leve e, mesmo que o tempo leve, continua dentro de mim. Eu quero andar de mãos dadas com quem sabe que entrelaçar os dedos é mais do que um simples ato que mantém mãos unidas. É uma forma de trocar energia, de dizer: você não se enganou, eu estou aqui. Porque por mais que os obstáculos nos desafiem o que realmente permanece, costuma vir de quem não tem medo de ficar.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Algumas vezes o medo se disfarça de segurança para nos manter à margem, no lado mais raso do rio da vida. Não corremos riscos. Apenas sentimos os respingos da coragem alheia.
Prefiro mergulhar correndo o risco de me afogar,
do que fazer de um colete salva vidas meu acessório preferido.
...pq nem tudo na vida são flores.
domingo, 22 de janeiro de 2012

Não se concentre tanto nas minhas variações de humor, apenas insista em mim. Se eu calar, me encha de palavras, me faça querer dizer outra e outra vez sobre você, sobre nós, e todo esse amor. Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar minhas lágrimas. Só me diz que você continuará comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir. Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro.
Caio Fernando Abreu

- Memórias de uma semana linda, pq com ele é sempre assim... perfeito! -
... vem, que eu quero te mostrar o papel cheio de rosas nas paredes do meu novo quarto, no último andar, de onde se pode ver pela pequena janela a torre de uma igreja. quero te conduzir pela mão pelas escadas dos quatro andares com uma vela roxa iluminando o caminho para te mostrar as plumas roubadas no vaso de cerâmica, até abrir a janela para que entre o vento frio e sempre um pouco sujo desta cidade. vem, para subirmos no telhado e, lá do alto, nosso olhar consiga ultrapassar a torre da igreja para encontrar os horizontes que nunca se vêem, nesta cidade onde estamos presos e livres, soltos e amarrados. quero controlar nervoso o relógio, mil vezes por minuto, antes de ouvir o ranger dos teus sapatos amarelos sobre a madeira dos degraus e então levantar brusco para abrir a porta, construindo no rosto um ar natural e vagamente ocupado, como se tivesse sido interrompido em meio a qualquer coisa não muito importante, mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim.
então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. vem para que eu possa acender incenso do nepal, velas da suécia na beirada da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros, possíveis ou presentes impossíveis. dos meus muitos ou nenhuns eus. vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. porque nada mais sou além de chamar você agora, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Não é que pensei outra coisa de gente grande? Esta é assim: tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco (…) É que vezenquando dá uma saudade na gente dessas coisas. São todas coisas simples. Meio bobas, muito bonitas.(…)
Caio Fernando Abreu
domingo, 8 de janeiro de 2012
"Do cansaço recorrente e das poucas coisas de que tenho certeza, admito, assino e repito como um mantra: velha demais pra ilusões, nova demais pra desistir. O pensamento é turbulento, o coração é calejado, mas o fim da linha é um sonho alcançado e a ousadia é a força motriz, e eu sei que não teria paz um minuto sequer na vida se desistisse de acreditar e seguir assim."
(Yohana Sanfer)
(Yohana Sanfer)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim.
.Ana Jácomo
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
E de repente a vida te vira do avesso, e você descobre que o avesso, é o seu lado certo...

Vamos pensar em 2011 como um ano de superação.
SUPERAÇÃO – sim, é essa a palavra que eu escolhi para o ano que encerrou a poucas horas atrás, vou ser breve, o ano iniciou mal, coração machucado, dolorido, um medo enorme de não conseguir seguir em frente, um medo enorme de não conseguir seguir sozinha. Mas logo de inicio me veio uma surpresa boa, uma oportunidade inédita de me renovar e dar um passo a frente, e eu fui, pq me acho determinada o suficiente para encarar o medo como um desafio e não como uma barreira. Descobri por essas e outras que eu não estava tão sozinha assim, reconheci o valor da amizade como jamais tinha visto antes, dei muita risada, senti muito frio na barriga, chorei... pq ninguém é de ferro. Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. Cai, levantei, na verdade, esse ano que passou estruturou meu lado emocional, tive a oportunidade, pela primeira vez, de estar de fato só, em minha própria companhia e mesmo assim não me sentir só. Pode parecer uma história comum, dessas que todo mundo conta, e que já não tem mais graça, mas pra mim, viver 2011 foi um desafio, um dos maiores até agora, e só eu sei pq, hoje me sinto muito mais forte, mais preparada, e suficientemente pronta pra traçar novos caminhos, novos sonhos. Recuperei o brilho nos olhos, a fé no outro, derrepente me deu vontade de mergulhar fundo de novo, de me entregar de coração aberto, de ser feliz! Que 2012 venha com tudo que tem direito, pode mandar que eu mato no peito ;D
"Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, e falta de ar..."
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