sábado, 11 de julho de 2009


Está apaixonada, e – incrédula – descobre que é correspondida
Isso que parece hoje tão simplório olhado de fora dava-lhe um senso de plenitude e poder que nunca mais conheceria.
Não precisava de mais nada.
Nem Deus pode tirar isso de mim, pensava.
Um inocente beijo diante da porta da casa, e o vestíbulo transforma-se em céu
Por muito tempo ficará transfigurada por essa intimidade.
Por mais experiências que venha a ter como mulher, o momento não se repetirá, e dificilmente se paga.
Nunca mais haverá uma primeira vez, nunca mais a mesma candura de acreditar que tudo aquilo era eterno.
Foram-se os amores que tive ou me tiveram: partiram num cortejo silencioso e iluminado.
O tempo me ensinou a não acreditar demais na morte nem desistir da vida: cultivo alegrias num jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e seus segredos.
E a esperança – que retrilha como pedrinhas de cores entre as raízes

– Lya Luft

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