A gente só quer se eximir da culpa
A gente, secretamente,
só pensa em si mesmo
A gente finge altruísmo,
mas é pra parecer melhor,
maior q o outro.
Que bicho estranho o bicho homem
Tentando se esquivar dos instintos
Animais, reais,
latentes instintos de sobrevivência
E filosofando pra parecer alado
pra ter aparência de ser superior
pra, no final das contas
se assemelhar a Deus
se sentir um pouco mais sagrado
se sentir maior
se, se, a si,
para si mesmo
Para ter o maior pedaço
de bolo, de reconhecimento
do que for, mas ter mais q o outro
[b]O Amor não
O Amor, e por isso é raro,
quer o bem do outro sem retorno
O Amor dá luz sem esperar de volta
Até porque dar luz ilumina imediatamente
e prescinde, por isso mesmo, de retorno
Quem dá luz é pq está iluminado
Quem ama mesmo é pq já foi amado
é porque é amor em si
Mas é muito difícil
pq, no final das contas,
Ate mesmo o amor
Tem suas esperanças
cobranças, expectativas,
seu: ''se sou amado,
o outro vai ceder por mim,
vai me dar a vez’’
Há muito amor verdadeiro
eu sei, recebo e dou
mas pouco dele permeia
as relações que tenho observado
Um quer algo do outro
quer pertencer e ser dono
quer ser o mais importante de todos, mesmo q pra um só
E ás vezes
quer ver o outro doer
pra só assim ter um mínimo
de sensação de ser realmente amado. [/b]
Nossa geração é sobrevivente
eu já dizia isso quando tinha 10 anos. Sobrevivemos aos pós-hippies, às separações dos nossos pais, às permanências
- que podem ser muito mais devastadoras q as separações -
Sobrevivemos ao bug do milênio,
ao ano 2000...
À tanta coisa sobrevivemos
que não se pode cobrar muito de corações, despedaçados, defeituosos, desamparados
e, por isso, somos egoístas pra cara%$@
Muito egoístas!
E se o outro não chega pros seus sonhos
vc descarta, vc diz q não serve,
resolve até pelo telefone se puder...
''...espera, a outra linha tá tocando, só um minutinho, te deixo na espera, já falo contigo...’’
Lembro o tempo q havia mais respeito
Foco
Hoje vc fala com 30 no msn e mais um no telefone, e não alimenta com 1/30 de atenção
cada um desses
Nossa época é a do ''se vira aí''
Do ''cada um com seus problemas''
Tenho um sonho surrealista recorrente
É uma rua colorida demais q vai ficando preto & branco
Tem um cadáver no passeio
e as pessoas passam por cima,
sentam no defunto, apagam cigarro nele, mas ninguém nota
Eu estou sentado do outro lado da rua, choro copiosamente, em desespero, grito, tento avisar, mas ninguém ouve
O mundo segue impassível
Meu desespero é enorme
e qdo acho q vou sucumbir
percebo q tb estou sentado
sobre um cadáver
e percebo tb, distante, algumas pessoas gritando e tentando me avisar...
Há muito fora do lugar, mais fora q dentro de mim,
ouso dizer
Por isso escarneço e solto o verbo
E tento escutar os gritos à minha volta
Principalmente os meus próprios gritos, q são sempre os mais ensurdecedores.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
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