terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Plenitude

Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquando não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Fernando Pessoa


Foi quando começou a não se importar tanto de sentir tanto medo, que ouviu o convite, ainda tímido, quase sussurro, do próprio coração, esse sabedor do que, de verdade, importa:
“Volta, com medo e tudo.”
Foi.
E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. É apenas calar a ausência devastadora e infértil dele. É apenas sair do lugar para um ponto um pouquinho mais espaçoso e espalhador de sementes. É apenas seguir. Com medo e tudo.

Erika Mattos

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Em uma época em que os desejos duram o tempo de uma estação, amar virou coisa de gente corajosa."


Fernanda Mello

domingo, 25 de dezembro de 2011


"Para muitos, o Natal é sinônimo de presentes e de confraternização. Após uma grande ceia, que geralmente começa à meia noite, parentes que não se vêem o ano todo aproveitam para unir a família e relembrar os bons momentos juntos. Isto proporciona muita alegria e muito regozijo. O que é bastante saudável. Mas não se deve esquecer o real sentido do Natal.

Por trás do apelo comercial que existe nesta data, temos como real motivo de celebração o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, que veio ao mundo com a missão de resgatar a humanidade do pecado e garantir-lhe a salvação.

Jesus cresceu, cumpriu este plano divino e retornou ressurreto para reinar ao lado do pai. Entretanto, é maravilhoso saber que Cristo continua conosco. Podemos gozar da companhia dele todos os dias. É este favor imerecido que nos motiva a permanecer correndo a carreira proposta por Deus rumo às nossas vitórias, visando sempre à vida eterna.

Não nos esqueçamos de render glórias e honras ao Senhor neste precioso dia. Jesus quer cear e fazer parte dessa comunhão familiar não só hoje, mas durante os 365 dias do ano.
Feliz Natal!"

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


Eu tinha qualquer coisa assim como andar de costas, quando todos andam de frente. Qualquer coisa como gritar, quando todos calam.

Caio Fernando Abreu

domingo, 18 de dezembro de 2011


Claro, poderíamos fazer tudo por amor. Mas… ah, o amor! Melhor não sobrecarregá-lo, né? Melhor deixá-lo florescer ao seu modo. Onde e quando menos se espera. Frágil e imortal.
— Humberto Gessinger

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Caio, Caio, Caio...

Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".

Há alguns anos. Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.

...
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

Caio F.

domingo, 11 de dezembro de 2011


Ele me dá vontade de viver (…) Ele me dá vontade de cantar, de rir, de ser feliz! Me dá força, me dá fé.

Caio Fernando Abreu

sábado, 3 de dezembro de 2011

Condição de entrega


Acaba de ser revelado o que uma mulher quer e que Freud nunca descobriu. Ela quer uma relação amorosa equilibrada onde haja romance, surpresa, renovação, confiança, proteção e, sobretudo, condições de entrega. É com essa frase objetiva e certeira que Ney Amaral abre seu livro Cartas a uma Mulher Carente, um texto suave que corria o risco de soar meio paternalista, como sugeria o título, mas não. É apenas suave.

Romance, surpresa etc, não chegam a ser novidade em termos de pré-requisitos para um amor ideal, supondo que amor ideal exista, mas "condição de entrega" me fez erguer o músculo que fica bem em cima da sobrancelha, aquele que faz com que a gente ganhe um ar intrigado, como se tivesse escutado pela primeira vez algo que merece mais atenção.

Mesmo havendo amor e desejo, muitas relações não se sustentam, e fica a pergunta atazanando dentro: por quê? O casal se gosta tanto, o que os impede de manter uma relação estável, divertida e sem tanta neura?

Condição de entrega: se não existir, a relação tampouco existirá pra valer. Será apenas um simulacro, uma tentativa, uma insistência.

Essa condição de entrega vai além da confiança. Você pode ter certeza de que ele é uma pessoa honesta, de que falou a verdade sobre aquele sábado em que não atendeu ao telefone, de que ele realmente chegará na hora que combinou. Mas isso não é tudo. Pra ser mais incômoda: isso não é nada.

A condição de entrega se dá quando não há competitividade, quando o casal não disputa a razão, quando as conversas não têm como fim celebrar a vitória de um sobre o outro. A condição de entrega se dá quando ambos jogam no mesmo time, apenas com estilos diferentes. Um pode ser mais rápido, outro mais lento, um mais aberto, outro mais fechado: posições opostas, mas vestem a mesma camisa.

A condição de entrega se dá quando se sabe que não haverá julgamento sumário. Diga o que disser, o outro não usará suas palavras contra você. Ele pode não concordar com suas ideias, mas jamais desconfiará da sua integridade, não debochará da sua conduta e não rirá do que não for engraçado.

É quando você não precisa fingir que não pensa o que, no fundo, pensa. Nem fingir que não sente o que, na verdade, sente.

Havendo condição de entrega, então, a relação durará para sempre? Sei lá. Pode acabar. Talvez vá. Mas acabará porque o desejo minguou, o amor virou amizade, os dois se distanciaram, algo por aí. Enquanto juntos, houve entrega. Nenhum dos dois sonegou uma parte de si.

Quando não há condição de entrega, pode-se arrastar, prolongar, tentar um amor pra sempre. Mas era você mesmo que estava nessa relação?

Condição de entrega é dar um triplo mortal intuindo que há uma rede lá embaixo, mesmo que todos saibamos que não existe rede pro amor. Mas a sensação da existência dela basta.

Martha Medeiros
Publicado em 18/04/2010 - DONNA ZH

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


''...Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante...''

- Caio Fernando Abreu

''Quando acordar, fique de bem consigo mesmo
Não comece a maldizer o dia que está por vir
Pois se começar errado, vai terminar errado
Tem que começar certo, pra quem sabe dar certo...''

- Giovani Zanella

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás



TENTAÇÃO - Clarice Lispector

– Só sei que nós nos amamos muito…

– Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?

– Não, eu falei no passado!

– Curioso né? É a mesma conjugação.

– Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?

(…)

– E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…

– Pensar assim me assusta.

– Por que? Você acha isso ruim?

– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…

– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?

(Pausa)

– Pois é, também dá no mesmo…

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Adorava descobrir-te por entre as paredes do meu quarto.
Acordar contigo envolvido em mim, com os dedos entrelaçados no meu cabelo.
Perguntar-te o que somos nós, quando lá fora está um dia que ainda não nasceu e um tempo que não se adivinha, de tão incerto que é.
Adorava ter-te comigo, deixar-me embalar em ti sem ter pressa ou calma demais...


...

domingo, 27 de novembro de 2011


''Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.''

Sonhos de uma noite de verão - William Shakespeare

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


Era preciso misturar.
As almas eram íntimas mas os corpos precisavam da entrega.
O beijo conduzia a libido e o encontro dos corpos em um enlace perfeito transcendia o sublime ato de amar.
Precisavam de mais.
Precisavam demais um do outro.
As almas quase gêmeas celebravam o fato de não serem irmãs.
Esse desejo mútuo era declaradamente profano.
Aquelas almas íntimas pediam a voluptuosidade.
Queriam amar-se como dois seres irracionais mas, conscientes do que eram capazes juntos.
Juntos, misturados, únicos.
O mistério do amor que sonhavam tornara-se mítico, intocável.
Nada existente seria forte o bastante para apagar o pertencimento permitido com incrível reciprocidade.
Recíproco também era o afeto.
Recíproca era a admiração.
Reciprocidade era a ânsia de serem um do outro e de ninguém mais.

terça-feira, 22 de novembro de 2011


''Eu tenho medos bobos e coragens absurdas.''

Clarice Lispector

domingo, 20 de novembro de 2011


Só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


"Diante da vida, renuncio aos olhares nefastos e cheios de desencantos. Se me vês atravessado, eu serei apenas espelho d'água. Mas se vens com bons sentimentos, encho meu ser de força e nas mais belas imposturas das minhas emoções, liberto todo meu amor!"

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Que a vida me ensine a amar cada vez mais, de um jeito mais leve.


Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Você é uma possibilidade minha, menino. Possibilidade não verbalizada. Como um sentimento sem nome, feito de uma palavra estranha. Palavra que nunca vai caber em dicionário nenhum, e que ninguém nunca vai inventar(...)Aí chega a hora em que distribuo um segredo: o tudo que faltava, talvez seja você. Digo e vou dormir, sem sonho, mas dentro dele.

Caio Fernando Abre

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


''Estou cada vez mais bossa-nova, espiritualmente sentado num banquinho, com o violão no colo. Deus, como eu quero paz.''

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 8 de novembro de 2011


E...

O que mais me encanta
É teu olhar que me fala
Por tua boca que me
Beija
E te tiro os calçados

É o teu corpo que
Traduz o que teu
Coração sente que
É só meu
E te arranco o vestido

É esse teu jeito
Cheio de trejeitos
Cujo defeito
É ser perfeito
E te deixo toda nua

Que me enlouquece
E me embevece
Entorpece
Tece
E te deito em nossa cama

Tece os meus
Desejos obscuros
Que insistem seus
Serem, procuro
E te faço minha

Pelo teu sexo
Pelo nosso amor
Pelo nosso prazer
Pelo nosso amor
E me faço teu

Giovani Zanella

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


Novembro, a ventania de primavera levando para longe os últimos maus espíritos do inverno, cheiro de flores em jardins remotos, perfume das primeiras mangas maduras, morangos perdidos entre o monóxido de carbono dos automóveis entupindo as avenidas.
(...)
Não, ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar.



Caio Fernando Abreu – Ao Simulacro da Imagerie)

domingo, 6 de novembro de 2011

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

(Metade - Oswaldo Montenegro)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Fazia muito tempo que eu não tinha vontade de sorrir pra nada nem pra ninguém, então era extraordinário que ele conseguisse perturbar assim os cantos de meus lábios.

Caio F.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"O imprevisto acontece e alguém te encontra. E te reecontra. Te reinventa. Te reencanta. Te recomeça."

Gabito Nunes

Preciso que saibas, que tenho te esperado há tempos...
Que há tempos ando errante por estranhas esquinas...
Que te procurava até mesmo em tristes lugares,
Em remotas estátuas estáticas estruturas esbeltas....

... Preciso que saibas, que floresceu de um modo insuspeito...
Me tomou por completo e me completou suavemente...
Agora espero que o tempo passe, que a semana voe!
Para teus lábios molharem os meus lábios novamente!

Preciso que saibas, que chegou assim num rompante...
Me pegou de guarda baixa e nem se importou...
Como continua não se importando, pouco...

Giovani Zanella

domingo, 30 de outubro de 2011

... deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente...

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que seja doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce.

Caio F. Abreu

terça-feira, 25 de outubro de 2011

... Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar. Essas são as escolhidas — as que vão ao fundo, ainda que fiquem por lá.


Caio Fernando Abreu

domingo, 23 de outubro de 2011


''Sem querer mais nada além daquele chegar cada vez mais perto...''

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam.



Clarice Lispector

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Encontros

Quando as pessoas se encontram eles nem sempre precisam falar. basta que se olhem. o olhar vai construindo a conversa aos poucos. eles brilham... quando se percebem diante um do outro. conversam pelo discurso não anunciado. aquele preenchido pelo toque acidental. pelo constrangimento de perceberem-se perto. a felicidade pode estar nesse encontro subliminar...naquele que ainda não aconteceu. no jeito calmo de levar a vida que paralisa outra. a lembrança sorri. pela imaginação dela, dele, dos dois... estranhos que esbarram em alguns dias. somos paranóicos com os sorrisos dos outros, como se fossem mais importantes que os nossos. ela torce pelos sonhos estranhos daquele que quer, por mais que mantenham longe. sorri sozinha entre quatro paredes. eles sentam um ao lado do outro na areia da praia. o sentimento mais forte silencia. não conseguem falar. não se tocam. não se olham. a presença guarda a perfeição do quadro construído em imaginações aleatórias. naquelas de toda noite.

...

domingo, 16 de outubro de 2011

Há uma fase na nossa vida, em que sentimos finalmente que estamos no rumo certo. Vamos-nos tornando menos instáveis , mais claros, mais determinados e finalmente compreendemos que: nada é por acaso.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


“Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”

É uma máxima simples. Somos responsáveis por aqueles com quem criamos laços. Mas por que?

Porque o nosso coração, quando cultivado, fica mais sensível a tudo o que vem daquela pessoa. Porque o que ela diz passa a ter um significado diferente, porque o que ela é passa a importar muito mais do que o que são os outros. Porque o carinho, as críticas, as vontades, as escolhas, as atenções, tudo isso passa a ser muito mais importante.

“A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas”

Não temos mais tempo de conhecer coisa alguma. Não dá para conceber isso! Quem não tem tempo de ir ao aniversário do amigo, quem não tem tempo pedir desculpa, quem não tem tempo de mandar um email, quem não tempo de tomar “aquela breja” com os amigos, quem não tem tempo de almoçar com a família, quem não tem tempo de pensar sobre o mundo, quem não tem tempo para amar, quem não tem tempo para lutar pelos seus ideais… será que tem tempo de viver?

Outra questão é disposição. Somos cada vez mais comodistas. Queremos bastante, lutamos pouco, realizamos menos ainda. Mas cativar requer disposição, precisamos ter atitude, iniciativa, prestar atenção! Precisamos gastar energia (e para isso precisamos ter energia para gastar).

Não dá, mesmo, para fazer tudo e ao mesmo momento. Mas não estou falando de grandiosas obras! Estou falando de atitudes que podem demorar alguns segundos, poucos minutos ou umas horas, no máximo. Será que o que ocupa o nosso tempo atualmente é mais importante (seja para a sobrevivência ou por alimento a alma) do que o que deixamos de fazer? Será que estamos gastando energia no que realmente vale a pena?

E, o mais importante, qual é a conseqüência destas nossas atitudes em relação às pessoas que cativamos? Obviamente elas nos perdoam. Foram cativadas. Mas o quanto será que estaremos afetando a sua crença em relação ao mundo, a amizade, ao quanto ela pode contar com você, ou quanto sua presença é real. É bom sonhar: mas viver os sonhos é melhor ainda. Nada substitui a presença, que às vezes se manifesta pela simples disponibilidade da outra pessoa em partilhar com você. Sim, quantas vezes temos corpos ao nosso lado e pessoas distantes, e quantas vezes temos corpos distantes e pessoas ao nosso lado?

Levo dentro de mim todas as pessoas que me são especiais. Mas a própria felicidade de carregá-las no coração contém, intrinsecamente, uma certa angústia pelas limitações diretas que me impedem de tê-las por perto.

Não quero deixar isso acontecer comigo. Não quero deixar de ter tempo ou energia para cuidar daqueles que cativei.

Mas as escolhas não dependem só de mim. Tentarei entender o momento e o contexto de cada um, e tenho consciência de que, às vezes, os caminhos levarão as pessoas para longe, sim. O problema é que essa consciência não faz doer menos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”

Caio Fernando Abreu

domingo, 9 de outubro de 2011


''Descobri que gosto mesmo é do tal amor. Da paixão não. Depois de anos escrevendo sobre ter alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. Eu quero alguém que divida o chão comigo. Quero alguém que me traga fôlego, entenderam?''

- Fernanda Mello

terça-feira, 4 de outubro de 2011

FALSO BRILHANTE

Há o condicionamento de que amor mesmo, de verdade, é gastar metade do salário para a esquadrilha da fumaça assinar o nome da namorada pelos céus de Porto Alegre.

Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. Depende de surpresas públicas de afeto como serenata na janela, carro de som, anúncios na TV, outdoors com pedido de casamento.

Mulheres e homens se desesperam por um amor público, encantado, de estádio cheio, e cobram provas mirabolantes de seus parceiros. Reclamam da rotina, da previsibilidade, e exigem declarações barulhentas para despertar a inveja do próximo.

O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo.

Ao procurar o amor empresarial, desprezamos o amor funcionário público, que atende às ligações e escreve nossos memorandos.

Ao perseguir o amor de cinema, desdenhamos o amor de teatro, de quem encena a peça todo dia ao nosso lado, sempre com uma interpretação nova a partir das falas iguais.

Ao cobiçar o amor sensual de lareira e restaurante, apagamos a delícia de comer direto nas panelas, sem pratos, sem medo do garçom.

Ao perseguir a aventura, negamos a permanência.

Preocupados em ser reconhecidos mais do que amar, esquecemos a verdade pessoal e despojada do nosso relacionamento. Recusamos o amor constante, o amor cúmplice.

Não valorizamos a passionalidade silenciosa, a passionalidade humilde, a passionalidade generosa, a passionalidade tímida, a passionalidade artesanal.

O passional pode ser discreto na aparência e prático na ternura.

O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.

O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.

Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.

São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.





Fabrício Carpinejar

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 04/10/2011
Porto Alegre (RS), Edição N° 16846

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."

quarta-feira, 28 de setembro de 2011


Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.



Caio Fernando Abreu

terça-feira, 27 de setembro de 2011

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)


Se você já foi um universitário ou tem um filho na universidade, entende o valor da temida sigla TCC.

TCC é tudo. O resto é nada. Você é nada, uma ameba, um protozoário perto de um TCC.

O Trabalho de Conclusão do Curso é a greve de existir do jovem. Faz o vestibular parecer um feriado.

O TCC é a TPM do Ensino Superior, a cadeira derretida do inferno, a desculpa para não realizar mais nada.

Não se vive com um TCC. A monografia final da graduação é a fita azul que enrola o canudo, é a provação derradeira para emoldurar o diploma, é o que separa o capelo do céu.

Na teoria, a tarefa se exibe fácil. Arrumar um tema, depois juntar material de pesquisa, atender aos conselhos de um professor orientador e, por fim, escrever 60 páginas. O fim nunca se encerra. No momento de pôr as ideias na tela, o último semestre demora mais três e o pânico devora as letras do teclado como um vírus.

O TCC é o Gulag do adolescente, o exílio solar, a solidão noturna. É o bilhete de suicídio prolongado em livro. É o mesmo que receber simultaneamente a notícia de gravidez e esterilidade.

Não se é humano com o TCC. É um crime se divertir, arejar a cabeça, brincar durante o período. A expectativa de solucionar um problema da carreira a partir de um texto acadêmico torna-se o problema. O futuro ganha o sinônimo de PRAZO ESGOTADO. A esperança tem o subtítulo ANOTAR ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, POR FAVOR, ME AJUDA. O sujeito não tem mais passado, mas BIBLIOGRAFIA. Não existe lembrança, e sim FONTE.

Muito fácil reconhecer o graduando na rua. Andará vagaroso, vidrado nos cadarços soltos do próprio tênis, rosto maltratado, remela nos olhos, roupas sobrepostas de quem se acordou agora e pegou as primeiras peças pela frente. Demonstrará irritação e uma dificuldade de entender a lógica do idioma. É um poço de culpa, ou porque não dormiu para estudar, ou porque dormiu e não estudou.

Algumas respostas básicas de um universitário redigindo o TCC:

Você namora? – Não posso agora, estou preocupado com o TCC.
Vamos tomar um café no fim de tarde e pôr o papo em dia? – Não dá, tenho que fazer o TCC.
Que tal Green Valley no domingo? – Nem pensar, estou com o TCC parado.
Topa churrasco de noite? – Nunca, não avancei no TCC.
Um cineminha hoje, para descontrair um pouco? – Desculpa, estou atrasado para o meu TCC.
Onde você está? – Tentando achar uma posição confortável para escrever meu TCC.
Você leu a crônica de Carpinejar em Zero Hora? – Não, só leio o que interessa ao meu TCC.



Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 27/09/2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não deixe que ele seja sua asa, no máximo um motivo para voar. Asas não nascem de novo, motivos sim.

Caio Fernando Abreu

sábado, 24 de setembro de 2011


Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 21 de setembro de 2011


Era quase desanimador porque parecia que, quando o stress e a loucura eram eliminados do meu quotidiano, pouco ficava a que me agarrar.

Charles Bukowski
Não é muito difícil adivinhar: todas essas coisas que passam, que deixamos de ter por um triz e que são perdidas para a eternidade… Todas essas palavras que deveríamos ter dito, esses gestos que deveríamos ter feito, esses kairós fulgurantes que um dia surgiram, que não soubemos aproveitar e se afundaram para sempre no nada… O fracasso por um triz…

- Muriel Barbery

terça-feira, 20 de setembro de 2011


Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

Caio Fernando Abreu
Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, nesta minha vida de retinas fatigadas.

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quero

''Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo. Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar. Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias. Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e sem exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis. Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante. E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços. Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.''

Martha Medeiros

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


''Vai doer tanto, menina. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa pra te aconchegar ao meio seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha.''

E sim, você consegue aconchegar minha tristeza nessa sua linda alma brasileira, meio dramática, meio dolorosa, extremamente chorosa, mas de uma inefável doçura.
Eu acredito em você, só duvido de vez enquanto, mas sim. Eu acredito em você, vai passar, mesmo que dure uma eternidade.

...
''Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar. Engole teu coração...
e te ama por dentro.''

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

“E me dá uma saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem sabe só olhar estrelas… dizer que te considero - pode ser por mais um mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida - e que hoje, só por hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero.”

- Caio Fernando Abreu.

sábado, 3 de setembro de 2011


Nunca disse que era a pessoa de mais fácil convivência, mas estou longe de ser das mais difíceis.
Nunca disse que era perfeita, por isso mesmo, tento aceitar o defeito dos outros; no entanto, tudo tem um certo limite.
Nunca quis que as pessoas descobrissem tão facilmente meus sentimentos, mas é humanamente impossível ficar o tempo inteiro escondendo-se atrás de máscaras.

Já me disseram que sou uma mulher de personalidade forte. Sabe por que isso? Justamente por ser exatamente como eu sou, com meus defeitos e minhas qualidades, por não medir palavras quando acho que algo deve, de fato, ser dito. Prefiro pecar pelo excesso do que pela ausência, prefiro errar dizendo o que tem de ser dito, do que calar e me fazer de desentendida.

“Me aceito impuro, me gosto com pecados, e há muito me perdoei”.

Martha Medeiros

terça-feira, 30 de agosto de 2011


— Digo que às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. Aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. E que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011


Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida. Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer "Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal." E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


Sentia-se pequenina, só, perdida dentro do cobertor, aquele tremor que não era frio nem medo: uma tristeza fininha como as agulhas cravadas na perna dormente, vontade de encostar a cabeça no ombro de alguém que contasse baixinho uma história qualquer.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 17 de agosto de 2011


"Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona, é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa resgatada da torre de um castelo."

(Martha Medeiros - Fora de Mim)
"Sentir é o verbo mais afetuoso que a vida nos entrega a todo momento e que, muitas vezes, se alimenta de uma espera desatenta e de muito, muito tempo. Que a gente amanheça com um olhar comprido capaz de enxergar as miudezas mais belas da vida e um abraço apertado que nos faz distribuir laços, desmedidos, de vento em vento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mente e corpo exaustos. Mas existe uma tranquilidade estranha. Não tenho mais nada a perder...

terça-feira, 9 de agosto de 2011



Em memória de uma das crianças mais lindas e cativantes que eu já conheci e tive a oportunidade de conviver. Marcos Vinicius, nosso querido Marquinhos faleceu na noite de domingo e vai deixar corações apertados de saudade! Meu príncipe, obrigada por tudo que me ensinou, pelo afeto e carinho que plantaste em meu coração. Será a estrela mais linda que o céu pode receber. Vai com Deus!

sábado, 6 de agosto de 2011

“... Ah, essa mulher - precisava sair daqui. Deste planeta que, tão freqüentemente, parece não comportar a sensibilidade.

"Chorar não resolve... Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egocentrismo e tudo aquilo que não mata, com certeza fortalece. Vontades efêmeras não valem a pena... quem faz uma vez não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Essa história de que é melhor acordar arrependido do que dormir com vontade é mentira! Perdoar é nobre... esquecer é quase impossível. Nem todo mundo é tão legal assim, e de perto ninguém é normal. Quem te merece não te faz chorar... quem gosta cuida... e o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente. Não é preciso perder pra aprender a dar valor e os amigos ainda se contam nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena ...o que se deve guardar pro resto da vida e o que nunca deveria ter entrado nela . Para qualquer escolha segue alguma consequência. Não tem como esconder a verdade... nem tem como enterrar o passado. As vezes mudar é preciso... nem tudo vai ser como você quer... A vida continua e o tempo vai ser sempre o melhor remédio, mesmo que seus resultados nem sempre sejam IMEDIATOS."

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Para afastar o desgosto do mês de agosto e querê-lo com muito gosto.


"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

''A vida tem uma sabedoria que nem sempre alcanço,
mas que eu tenho aprendido a respeitar,
cada vez com mais fé e liberdade.''

Ana Jácomo

terça-feira, 26 de julho de 2011


“Posso te garantir que o verão solitário me deixou mais mulher, mais leve e mais bronzeada e que, depois de sofrer muito querendo uma pessoa perfeita e uma vida de cinema, eu só quero ser feliz de um jeito simples.

sábado, 16 de julho de 2011

FELICIDADE







Há muito tempo eu não me sentia tão feliz, e devo agradecer a cada um de vocês que em tão pouco tempo estão se tornando pessoas muito importantes pra mim, Léo, Fran, Everton, Thai, Pami, Gabi e Lu, obrigada por estarem comigo neste dia lindo, obrigada por serem tão especiais, tão singulares e pioneiros de um ideal já esquecido por muitos, vocês me ensinam mais e mais a cada dia que passa. Vocês fazem a diferença!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Agora, suponho que sim: tanto o filme quanto o poema ou a música falam dessa nossa louca necessidade de ilusão. Porque a imaginação do homem foi feita, acho, para imensamente mais do que aquilo que o cotidiano oferece.

domingo, 3 de julho de 2011

Não tenho pressa nenhuma. Nem em relação a você nem em relação a nenhuma coisa. Eu gostaria que tudo crescesse naturalmente. Mas que crescesse.

Caio Fernando de Abreu

sábado, 2 de julho de 2011


“[...] que vontade, querida mamãe, de ser feliz, de ter um grande amor bem limpinho, bem clarinho, um amor de manhã bem cedo,”

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras; e por tudo isso, ando cada vez mais só.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 24 de junho de 2011


Dos motivos que me fazem rir e chorar ultimamente, só Deus e eu sabemos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tempo é ternura - Fabricio Carpinejar

Viver tem sido adiantar o serviço do dia seguinte. No domingo, já estamos na segunda, na terça já estamos na quarta e sempre um dia a mais do dia que deveríamos viver. Pelo excesso de antecedência, vamos morrer um mês antes.

Está na hora de encarar a folha branca da agenda e não escrever. O costume é marcar o compromisso e depois adiar, que não deixa de ser uma maneira de ainda cumpri-lo.

Tempo é ternura.

Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza. Sair daquele aproveitamento máximo de tarefas. Ler um livro para o filho pequeno dormir. Arrumar as gavetas da escrivaninha de sua mulher quando poderia estar fazendo suas coisas. Consertar os aparelhos da cozinha, trocar as pilhas do controle remoto. Preparar um assado de 40 minutos. Usar pratos desnecessários, não economizar esforço, não simplificar, não poupar trabalho, desperdiçar simpatia.

Levar uma manhã para alinhar os quadros, uma tarde para passar um paninho nas capas dos livros e lembrar as obras que você ainda não leu. Experimentar roupas antigas e não colocar nenhuma fora. Produzir sentido da absoluta falta de lógica.

Tempo é ternura.

O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo.

Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.

Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte.

Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.

Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou.

Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.

Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.

sábado, 11 de junho de 2011

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Sabe o que eu quero de verdade? Jamais perder a sensibilidade mesmo que as vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma" C.L.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Correndo o risco do fracasso, das decepções, das desilusões, mas nunca
deixando de buscar o amor. Quem não desistir da busca, vencerá. "

Essa vai para uma pessoal especial, que estimo e amo muito! Obrigada por me ensinar tanto.

quarta-feira, 18 de maio de 2011


E quem diria. Quem diria. Ontem mesmo, conversando com vários amigos, eles me disseram que eu não mais parecia comigo. Eu pareço eu sim, mas vou ganhando o mundo quando abro algumas brechas da minha prisão. E de brecha, vou me ganhando também. E quase vira o estômago mas sou tomada por uma fome boa que eu nem sei o nome. Talvez acreditar assim, sem medo, em algo descontrolado e de alguma forma justo, seja acreditar em Deus. Durmo em paz. Tudo na hora certa. As coisas são como são.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sinto saudades de todos os momentos românticos que já vivi. Daquela época, em que passava anos gostando de alguém, que também gostava de mim, mas que por timidez, não tinha coragem de se declarar. Daquela época, em que um beijo no rosto, era motivo para mudar de cor, e um selinho, era um beijo cinematográfico. Daquela época, em que só saber que poderia olhá-lo, me fazia levantar da cama, e enfrentar um período chato de matemática. Daquela época, em que uma ficada, não era apenas uma ficada. Era mais, era frio na barriga, misturada com uma ansiedade, que nos fazia querer gritar sem voz, chorar sem lágrimas. Tudo isso, por saber que iríamos beijá-lo. Beijar aquele cara, que há tempos havíamos desejado. Sinto falta daquela época.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade.

domingo, 1 de maio de 2011

O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca, viu?

CAIO F. ABREU

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tô me afastando de tudo que me atrasa,me engana, me segura e me retém.
Tô me aproximando de tudo que me faz completa, me faz feliz e que me quer bem.
Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
Ultimamente eu só tô querendo ver o 'bom' que todo mundo tem.
Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem?
Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém.
Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, to despreocupada com a vida, eu tô de bem.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

CAIO F. ABREU

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Precisa casar comigo não, precisa me engravidar não. Basta me olhar assim, basta morrer de rir comigo. Basta me ler, me decifrar, ser intenso nesse minuto. Vamos todos morrer meus amores, vamos então morrer sabendo que demos vida a alguém.

TATI BERNARDI
(…)Sem apego. Sem melancolia. Sem saudade. A ordem é desocupar lugares. Filtrar emoções .

CAIO F. ABREU

terça-feira, 12 de abril de 2011

Que vontade de sentar e chorar um pouquinho.
Deitar em posição fetal e dormir uns 20 anos sem sonhar com nada. Sem demorar pra pegar no sono pensando no que não fez, no que podia ter feito, no que tem pra fazer, no que nunca farei.
Quando uma coisa não é pra ser, não é e ponto final. Mas que frusta e dói, ah, dói.
Incapacidade? Má condução verbal? Feiúra? Marketing pessoal é tudo nessa vida!
Queria ter uma mala de rodinhas. E um passaporte pra usar como album de figurinhas.
E tempo…
Porque o tempo passa muito rápido.
Até ontem eu sabia o que queria da vida.
Hoje já não sei mais.
viver me parece um luxo, mesmo nos detalhes mais aporrinhantes.

Caio F. Abreu in “Cartas”

quarta-feira, 30 de março de 2011




"Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é Fé.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer."


(Ana Jácomo)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ????

quarta-feira, 23 de março de 2011


Hoje de manhã eu acordei e fiquei olhando para tudo catatônica, um misto de susto com deslumbramento. Me dei conta de que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Foi difícil enterrar tantos mortos e tantas rotinas, mas está sendo muito fácil viver dentro de mim.

domingo, 13 de março de 2011

"Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só."

(Martha Medeiros)

quinta-feira, 10 de março de 2011



"A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém. Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto. O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer.
O imprevisto me fascina."

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 9 de março de 2011


Já te falaram do amor? Não, ele não é cor-de-rosa. Porque a bailarina não passa o dia vestida de bailarina, nem o palhaço de palhaço, nem o malabarista de malabarista.
O amor é uma teimosia indomável do coração. É um ciúme escondido de dividir com quem apenas paga o ingresso e dorme sentado. É vontade de desnudar para a vida e arredar todas as cobertas e respirar a luz e transpirar por todos os poros eu e. É sair feliz e infeliz do exercício de ser. O bom não é o perfeito. O perfeito é o completo: o bom e o ruim: o seguro e o inseguro: o mágico e o real. A perfeição é em toda a sua essência e amplitude. A imperfeição apenas empurra o tempo. Amor é, também, sair ferido pela palavra mais inocente. Quando se é equilibrista e a criança diz que gosta do palhaço...
Ser palhaço é um dom. Ser equilibrista é treino e é estigma.

Jane Tutikian

segunda-feira, 7 de março de 2011

E eu sei que todos os dias quando eu acordo Deus dá um sorriso e me diz: Estou te dando a chance de tentar de novo.

Caio F. Abreu

quinta-feira, 3 de março de 2011

...Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.

Fernanda Mello

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se pára de pedir, a gente está pronto para começar a receber.
Caio F. Abreu

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nαo sei se estou perto ou longe demαis,
se peguei o rumo certo ou errαdo,
sei αpenαs que sigo em frente,
vivendo diαs iguαis de formαs diferentes!
Jα nαo cαminho mαis sozinhα,
levo comigo cαdα recordαção, cαdα vivênciα, cαdα lição.
Mesmo que tudo nαõ αnde dα formα que eu gostαriα,
sαber que jα nαo sou α mesmα de ontem
me fαz perceber que vαleu α penα!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

És autor do teu futuro, que escreves com as tuas ações atuais, assim como delineaste ontem as ocorrências de hoje. Não te permitas o anestésico da ilusão, sempre temporária porque despertaras inevitalvelmente.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

“Quando se despediram, Beauvoir disse o quanto achara bom o fato de terem conseguido conservar a amizade. “Não é amizade”, retrucou. “Eu nunca poderia lhe dar menos que amor”. Beauvoir chorou de soluçar durante toda a viagem para Nova York.

(Tête-à-Tête de Hazel Rowley)

domingo, 13 de fevereiro de 2011




Rimos, não paramos de rir; não existe a tristeza, ninguém desaparecerá, nem morrerá, nem se afastará: vivemos o momento presente. Nada pode alterar nossa felicidade, nem nos roubar a alegria desse instante perfeito.

- Audrey Niffenegger in “A Mulher do Viajante no Tempo”