domingo, 31 de maio de 2009

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

by; Elisa Lucinda

sábado, 30 de maio de 2009

Tempos Modernos - Lulu Santos

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há prá viver
Vamos nos permitir...

E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...


terça-feira, 26 de maio de 2009

Que bando de artistas somo nós.

A utopia de um mundo sem regras, onde todos agissem pelo instinto, virou o playground dos meus neurônios.
Cansei do normal, quero fugir do estabelecido, do programado, daqueles que aplaudem cada ato bem pensado.
O mais engraçado disso é que eu vou parar de digitar esse texto, vou botar o meu pijama, escovar os dentes, colocar o relógio para despertar e dormir. E acordar no outro dia, escovar os dentes, vestir um casaco, trabalhar e conviver em sociedade com harmonia e educação, e ninguém perceberá a erupção que tento conter.
E o nosso lado serial Killer, marylin monroe, al capone, simone de beauvoir?
Para onde vai tudo que a gente pensa e reprime, tudo que a gente ouve e estoca, tudo que a gente lê e compreende, tudo que agente vê e não toca?
Para onde vão as idéias que a gente consome e os sentimentos que nos envergonham? Vida interior.
Nem mil anos bastariam para eu assimilar tudo o que sinto e acomodar toda essa trupe em mim.

sexta-feira, 22 de maio de 2009


(...)
''Você me pergunta qual é a minha dor e isso me paralisa. Não sou cleptomaníaca, viciada em drogas ou autodestrutiva, não tenho pânico noturno nem diurno, não ando nem mesmo triste. Mas a angústia existencial, se não é uma coisa triste tão pouco é libertadora.
Não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar''.
Martha Medeiros

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"Fecho o livro, sorrio um sorriso compreensivo, bem-educado, discreto, tolerante — é, eu sou assim quase o tempo todo, compreensiva, bem-educada, discreta, tolerante."
(...)
mas como todas as pessoas, eu também tenho o meu limite,
chega uma hora em que o cópo transborda.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

'Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar. Essas são as escolhidas — as que vão ao fundo, ainda que fiquem por lá.'

CFA.

domingo, 17 de maio de 2009


"Não, ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Como em particular, acredito que você é dotado de bom caráter e expressa uma confiança encantadora em mim.
Sentir vontade de desabafar através desse singelo e talvez triste texto.
Às vezes, é como se eu estivesse sozinha no mundo e que as coisas se movessem de lugar constantemente, e que milhares de pensamentos estranhos e difusos, mas também em alguns momentos dissipáveis, se mostrassem com freqüência.
Aparenta diversas vezes um sofrimento sem sentido e sem começo, meio e fim… ele chega sem que eu percebesse, e vai embora sem que eu pergunte, o porque?.
As pessoas que eu amo sempre estão longe dos meus olhos e distantes dos meu abraços e afagos. Todos os dias sinto vontade de me transformar em uma borboleta e visitá-las diariamente, eu me contentaria em somente vê-las, pois não teria como abraçá-las, tenho ao lado do coração, uma enorme cestinha, cheia até a tampa, de saudades.
Sei que sou super carente de atenção e carinho, talvez seja por este fato que sempre quero está presente na vida das pessoas, e faço com que as percebam que podem sempre contar comigo, lhes dou muita atenção e sou muito cordial.
Hoje mesmo é um desses dias que parece que as coisas estão mesmo fora de seus devidos lugares, sinto uma tristeza que inunda minha alma e deixa meu coração aflito. Nesses dias tenho desejos de ser mais, muito mais…do tipo, que sai e deixa tudo se misturar e não volta para consertar.
Hoje é um daqueles dias que eu escuto uma boa música melancólica e choro muito, e tento fingir que as coisas voltaram para seus lugares…( é até legal mostrar uma carinha alegre para suas companheiras de moradia, para não deixá-las com uma interrogação na cabeça).
Não seria eu, neste momento, se não estivesse digitando isso.
Sempre que estou triste, eu sento…e escrevo…escrevo muito…mas, muito mesmo.
Sinto que as pessoas que dou mais atenção, não expressa com reciprocidade tamanha atenção e afeto; infelizmente isso ainda me machuca.
Tem dias que desejaria ser despreocupada, e viver os meus dias sem importar-me com os desafetos. Mas não, isso não seria eu.

“olhando o quarto, entre os cabelos caídos sobre o rosto, ela procura os comprimidos.
pelas gavetas. nos armários. descalça, pés pretos, ela agora desobedece. contraria a infância higienizada e protegida. a meninice desinfetada. de chãos limpos. pisos brilhantes. cheiro de pinho.
A vida de regras. de pode-não-pode. de coisas proibidas. a vida de nãos. não solte as tranças. não fale com estranhos. fique longe das tomadas. não deixe comida no prato. não suje o vestido. não fale palavrão. não caia do balanço. não ouça música alta. leia apenas os clássicos. não bata no seu irmão. só coma coisas verdes. não trepe sem casamento. não use drogas. não responda seus pais. respeite seus professores. não beba gelado. não saia sem blusa. não tome o sol do meio-dia. faça o dever de casa. não grite com sua mãe. não coma porcarias. cumprimente seus tios. não ponha a mão na boca. não aceite carona. esqueça que há vida de madrugada. não mostre a língua. não deixe a camisinha. não fale de boca cheia. não durma até tarde. não aponte. não chore. não tome remédios sem receita. não mais que um comprimido. não mais que dois. três. quatro. não mais que dez. não vomite sobre o tapete. não morra. idiota, não morra.”

Eduardo Baszczyn



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo.
E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira.
Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:
- Dorme, só existe o sonho.
Dorme, meu filho. Que seja doce. Não, isso também não é verdade.

[ Caio F. Abreu ]

x.x

Altenar momentos de extrema alegria com outros de angustia pura e é assim que vivo.
Com um vento que venta dentro do peito.
Com um brilho que vaga no fundo dos olhos.
Respirar a fumaça escura da esperança que arde em chamas entre as margens do rio e o céu me intoxica.
Detesto ver as cortinas desabando aos meus pés.
Ser parte da engrenagem. A liberdade que existe entre o espelho e eu.
Falsa, indecente, imoral, necessária.
A prisão que se tornou viver entre minha fábula e a vida real que jorra pelas janelas.
O gosto torpe do amor e o azedo do ódio que habito em veias chulas, eis que me vejo em meio a um turbilhão de sorrisos, mas não sei sorrir.
Eis que me vejo radiante apregoado com os pés no chão fingindo que quero voar e não sei voar.
Não sei pra onde iria se soubesse.
Só durmo quando imagino que estou voando.
Alternar momentos de certezas com outros de confusão é a duvida entre a culpa e a paranóia.
O certo no jogo de dados. O sim quando deveria ser o não.
O prêmio frustado, o acaso do acaso, a ressaca, a luxúria, a volúpiae o desamparo amargo no reflexo do copo de leite.
Fugir pra onde pode ser encontrado.
Ver e fingir não ter visto é um risco meramente calculado.
Alternar mentira e solidão. Pois ambas anulam-se entre si.
Medo e desejo. Prática e memória. Repressão.
Repressão do amãgo do ãmago.
Apenas repressão.
O que penso de mim quando penso o que pensam de mim?
O que penso de mim quando exponho apenas o avesso?